Quando parece que eu peguei no sono escuto o barulho dos nossos guias arrumando as coisas lá em baixo, um frio enorme e eu quentinho no saco de dormir, o Ricardo e o Benjamin também não se mexem, pensei vou ficar aqui até alguém me chamar, não durou 5 minutos os guias nos chamaram, estava na hora de sair do quentinho e ir pra fora no frio caminhar.
Dormir a 5130 mts não é fácil mesmo para quem já estava um pouco aclimatado, dificuldade para respirar e frio intenso tornam a noite muito sofrida, mais vamos que vamos.
Nos levantamos e começamos a por as roupas de frio que tínhamos, blusas, calças, toucas, luvas, meias e tudo que tinha direito, não conseguia nem me mexer.
Descemos e tomamos um chá quente com algumas bolachas e começamos a calçar as botas plásticas , granpons, cadeirinhas, capacetes e lanternas de cabeça. Separamos o mínimo possível de coisas nas mochilas e partimos para tentar o cume do Huayna a 6088 mts.
Nos dividimos em 2 grupos o Ricardo e o guia Alex em uma corda e eu e o Benjamin em outra com o Sebastian, começamos então a subida.
O trecho inicial já começava em uma parede de neve bem ingrime onde tínhamos que dar passos pequenos e constantes para diminuir o esforço, a dificuldade de respirar pela altitude e pelo frio também tornavam a subida mais difícil.
Foto batida durante o dia do trecho inicial
Após esse trecho inicial a coisa só piorava, a subida era uma constante com neve dura e ingrime, subíamos em passos curtos e devagar. Andamos mais ou menos 1:30 nessas condições quando chegamos no que eles chamam de campo Argentinos, um lugar plano onde se consumavam armar barracas para ataque ao cume, antes de existirem os abrigos. Nos reunimos e o Benjamin decidiu que não dava mais pra ele, o Ricardo e o Alex estavam em um ritmo muito bom e eu vinha na minha, ai veio o momento da decisão, como estávamos com dois guias um voltaria com o Benjamin e se eu não aguentasse mais pra frente o Ricardo e o Alex teriam que voltar, então como vi que o Ricardo estava bem e eu acho que não aguentaria mais muito tempo decidi que era melhor voltar também. Vi que foi a melhor decisão visto que chegamos exaustos no abrigo depois de um total de 2:30 de atividade. O Benjamin estava com as pontas dos dedos da mão meio roxos do frio.
Chegamos no abrigo e mal tínhamos força para tirar as botas, tiramos os equipamentos e entramos em nossos sacos de dormir para tentar nos esquentar e recuperas as forças já que teríamos toda a descida com as mochilas para o acampamentos base onde a Van viria nos buscar.
Deitamos e cochilamos até umas 7:30 quando pensamos que o Ricardo deveria estar chegando, o Benjamin olhou pela janela e não viu ninguem descendo então voltamos a ficar deitados.
Lá pelas 08:00 escuto uma tosse característica e falei pro Benjamin é o Ricardo, aguardamos alguns minutos e eis que surge pela escada o Ricardo.
Ele entrou sem consegui falar de tão cansado que estava, perguntamos se tinha feito o cume e ele disse que sim, tirou as roupas de caminhada deitou e dava pra ver que ele estava acabado.
Após alguns minutos ele pediu um remédio para dor de cabeça e dormiu uns 40 minutos pois tínhamos que começar a descida para retornar a La Paz.
Por volta das 08:45 eu e o Benjamim começamos arrumar as coisas dentro das mochilas para a descida de volta ao acampamento base a 4800 mts. Acordamos o Ricardo que já estava mais recuperado. O Sebastian nos ofereceu uma sopas mas só o Ricardo quis. Ai ele começou a falar da subida, disse que foi melhor nos termos voltado visto que o trecho que fizemos era só 1/4 do total, eles levaram 5 horas até o cume e a subida final era a mais ingreme. O frio que fez no cume segundo o Guia foi de -25º e a volta foi muito dura pois o cansaço foi extremo tanto que ele vomitou umas duas vezes na volta de tanta exaustão.
Todos ficamos feliz por ele ter conseguido mas o sofrimento dessa conquista foi imensa como ele mesmo disse.
Calçamos nossa botas e granpons pois na descida seria necessário, pegamos nossa mochilas e as 09:30 começamos o regresso.
Começamos a descida que é bem mais fácil que a subida, apesar do cansaço andamos em um ritmo muito bom, após uns 15 minutos descendo o Ricardo olha para sua mochila e vê que havia esquecido o piolett, o nosso Guia Sebastian se propõe a ir buscar e nós continuamos a descida levando sua mochila primeiro o Benjamin depois eu, depois de uns 10 minutos o Sebastian nos alcança e disse que o Alex o outro guia já estava trazendo o piollet esquecido.
Caminhamos em um ritmo bom e dentro de 1 hora já estávamos no refugio baixo, eram umas 10:40. Separamos os equipamentos da agencia e ficamos aguardando pois nossa Van era só pra chegar as 12:00, para nossa alegria as 11:00 chega nossa Van, carregamos as coisas e voltamos a La Paz loucos por um banho e um bom descanso.
Viemos bem durante toda a viagem mas chegando próximo do hotel um puta congestionamento onde ficamos quase uma hora. As 13:15 estacionamos e fomos direto para o hotel tomar um banho.
Após o três estarem devidamente limpos e penteados resolvemos que era hora de almoçar, passamos na agencia para agradecermos e o Ricardo ganhou a camiseta por ter subido no Huayna 6088 mts.
Almoçamos em um hotel na frente da agencia e fomos fechar o passeio de bike pela estrada da morte para amanhã. Fizemos algumas pesquisas e fechamos pela FREEBIKES por um valor de 300 blv por pessoa por uma bike com suspensão dianteira e freio a disco mecânico. Existiam bikes melhores mas com preços maiores, mas como vamos passear a não competir achamos que estava de bom tamanho.
O valor ainda inclui um cd de fotos, uma camiseta, todo equipamento de segurança, lanche, buffet em um hotel no final da descida, com direito a piscina, guia e transporte.
Amanhã conto como foi o passeio de Bike.........

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