A noite foi muito longa e a dificuldade de respirar era grande, dor de cabeça e nariz trancado também fizeram parte dessa noite, o Ricardo sofrendo com a dor de cabeça que estava o acompanhando desde o primeiro dia, o Benjamin consegui dormir umas horas e eu praticamente não dormi, fiquei deitado mas a cabeça não desligava e de tempo em tempo dava para ouvir alguém dando uma respirada pesada tentando puxar mais oxigênio o que parecia não haver. Enquanto sofríamos o casal francês parecia nem se importar e dormiam aparentemente bem.
Não víamos a hora de amanhecer e poder sair do saco de dormir e ver o dia. Que noite horrível !
Levantamos por volta das 07:00 e parecia que eu tinha acabado de deitar tamanho cansaço que estava sentindo, sentamos a mesa e nosso guias trouxeram nosso café da manhã o qual era composta de agua quente e vários saquinhos de chá, pão, banana, serial e iogurte.
Preparamos um chá para esquentar e comemos um pouco de pão e cerial, já nosso amigos franceses comeram uns 2 pães cada uma mais uma tigela de cerial com iogurte e mais uma banana cada pra arrematar, acho que eles estavam sem fome!
Após o café nossos guias pediram para que a gente separasse o equipamento pois iríamos caminhar ate o glaciar e aprender as técnicas de gelo e como usar os equipamentos de maneira correta.
Separamos nossas botas plásticas, grampons e piolets, polainas, calças, luvas e luvas impermeáveis e partimos para uma caminhada de aproximadamente uma hora.
Levamos cerca de 1;15 até glaciar onde começamos a nos equipar e receber as primeiras instruções, somente nosso guia Sebastian foi conosco, Alex o outro guia foi pescar umas trutas para preparar no almoço.
Colocar os equipamentos leva um certo tempo e com ajuda do guia logo estávamos todos equipados e prontos para começar a subir o glaciar.
As botas com os grampons chegam a pesar 8 kg o par dependendo do tamanho do pé e da marca da bota, mas andar com esse equipamento na neve é até que facil, logo todos já estávamos caminhando tranquilamente na neve.
Ficamos treinando por cerca de 2 horas e retornamos ao acampamento para almoçar e descansar visto que sairíamos para fazer o cume por volta das 1:00 da manhã.
Ao chegar ao refugio fomos recebidos com um prato com arroz e truta frita, que maravilha de almoço, a truta tem uma carne rosada parecida com salmão, muito boa, e ainda fresquinha pescada naquela manhã no lago em frente ao refugio. (Sorte que os franceses ainda não tinham voltado senão não sobrava truta. hehehe).
Após almoçarmos deitamos e ficamos de bobeira conversando tentando tirar um cochilo e dando risada, os franceses voltaram de uma caminhada de 5:30 para o pico Áustria que fica a 5300 mt, não tinha muito o que fazer a não ser recuperar as energias e nos preparar para o que iria vir.
Matamos a tarde toda, ficamos de bobeira recuperando as forças e tentando estar mais descansado possível para tentarmos o cume do Pequeno Alpamayo.
Por volta das 18:30 chegou a janta uma sopa quentinha e muito boa também. Trouxeram agua quente para fazermos um chá. Comemos e deitamos pois teríamos que acordar as 00:00 para partimos as 01:00 para tentar chegar ao cume. Após as 19:30 todos estávamos deitado e escutamos um barulho como se fosse uma chuva forte mas como estávamos deitados não levantamos para ver.
As 10:30 levantei para tirar agua do joelho e quando abro a porta do abrigo me deparo com esse imagem
Neve, muita neve, cerca de uns 10cm de neve havia caído em todo o vale durante aquelas horas, a preocupação bateu pois a rota para chegada no cume sobe quase toda por um glaciar que deveria estar com uma neve muito fofa, com isso tudo ficaria bem mais difícil fora o frio que seria imenso.
Voltei para o saco de dormir e aguardei a hora de levantar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário