29 de jun. de 2013

Bolívia - 10º dia

10º dia
Quando parece que eu peguei no sono escuto o barulho dos nossos guias arrumando as coisas lá em baixo, um frio enorme e eu quentinho no saco de dormir, o Ricardo e o Benjamin também não se mexem, pensei vou ficar aqui até alguém me chamar, não durou 5 minutos os guias nos chamaram, estava na hora de sair do quentinho e ir pra fora no frio caminhar.
Dormir a 5130 mts não é fácil mesmo para quem já estava um pouco aclimatado, dificuldade para respirar e frio intenso tornam a noite muito sofrida, mais vamos que vamos.
Nos levantamos e começamos a por as roupas de frio que tínhamos, blusas, calças, toucas, luvas, meias e tudo que tinha direito, não conseguia nem me mexer.
Descemos e tomamos um chá quente com algumas bolachas e começamos a calçar as botas plásticas , granpons, cadeirinhas, capacetes e lanternas de cabeça. Separamos o mínimo possível de coisas nas mochilas e partimos para tentar o cume do Huayna a 6088 mts.
Nos dividimos em 2 grupos o Ricardo e o guia Alex em uma corda e eu e o Benjamin em outra com o Sebastian, começamos então a subida.
O trecho inicial já começava em uma parede de neve bem ingrime onde tínhamos que dar passos pequenos e constantes para diminuir o esforço, a dificuldade de respirar pela altitude e pelo frio também tornavam a subida mais difícil.
Foto batida durante o dia do trecho inicial

Após esse trecho inicial a coisa só piorava, a subida era uma constante com neve dura e ingrime, subíamos em passos curtos e devagar. Andamos mais ou menos 1:30 nessas condições quando chegamos no que eles chamam de campo Argentinos, um lugar plano onde se consumavam armar barracas para ataque ao cume, antes de existirem os abrigos. Nos reunimos e o Benjamin decidiu que não dava mais pra ele, o Ricardo e o Alex estavam em um ritmo muito bom e eu vinha na minha, ai veio o momento da decisão, como estávamos com dois guias um voltaria com o Benjamin e se eu não aguentasse mais pra frente o Ricardo e o Alex teriam que voltar, então como vi que o Ricardo estava bem e eu acho que não aguentaria mais muito tempo decidi que era melhor voltar também. Vi que foi a melhor decisão visto que chegamos exaustos no abrigo depois de um  total de 2:30 de atividade. O Benjamin estava com as pontas dos dedos da mão meio roxos do frio.

Chegamos no abrigo e mal tínhamos força para tirar as botas, tiramos os equipamentos e entramos em nossos sacos de dormir para tentar nos esquentar e recuperas as forças já que teríamos toda a descida com as mochilas para o acampamentos base onde a Van viria nos buscar.
Deitamos e cochilamos até umas 7:30 quando pensamos que o Ricardo deveria estar chegando, o Benjamin olhou pela janela e não viu ninguem descendo então voltamos a ficar deitados.
Lá pelas 08:00 escuto uma tosse característica e falei pro Benjamin é o Ricardo, aguardamos alguns minutos e eis que surge pela escada o Ricardo.
Ele entrou  sem consegui falar de tão cansado que estava, perguntamos se tinha feito o cume e ele disse que sim, tirou as roupas de caminhada deitou e dava pra ver que ele estava acabado.
Após alguns minutos ele pediu um remédio para dor de cabeça e dormiu uns 40 minutos pois tínhamos que começar a descida para retornar a La Paz.
Por volta das 08:45 eu e o Benjamim começamos arrumar as coisas dentro das mochilas para a descida de volta ao acampamento base a 4800 mts. Acordamos o Ricardo que já estava mais recuperado. O Sebastian nos ofereceu uma sopas mas só o Ricardo quis. Ai ele começou a falar da subida, disse que foi melhor nos termos voltado visto que o trecho que fizemos era só 1/4 do total, eles levaram 5 horas até o cume e a subida final era a mais ingreme. O frio que fez no cume segundo o Guia foi de -25º e a volta foi muito dura pois o cansaço foi extremo tanto que ele vomitou umas duas vezes na volta de tanta exaustão.





Todos ficamos feliz por ele ter conseguido mas o sofrimento dessa conquista foi imensa como ele mesmo disse.
Calçamos nossa botas e granpons pois na descida seria necessário, pegamos nossa mochilas e as 09:30 começamos o regresso.


Começamos a descida que é bem mais fácil que a subida, apesar do cansaço andamos em um ritmo muito bom, após uns 15 minutos descendo o Ricardo olha para sua mochila e vê que havia esquecido o piolett, o nosso Guia Sebastian se propõe a ir buscar e nós continuamos a descida levando sua mochila primeiro o Benjamin depois eu, depois de uns 10 minutos o Sebastian nos alcança e disse que o Alex o outro guia já estava trazendo o piollet esquecido. 
Caminhamos em um ritmo bom e dentro de 1 hora já estávamos no refugio baixo, eram umas 10:40. Separamos os equipamentos da agencia e ficamos aguardando pois nossa Van era só pra chegar as 12:00, para nossa alegria as 11:00 chega nossa Van, carregamos as coisas e voltamos a La Paz loucos por um banho e um bom descanso.
Viemos bem durante toda a viagem mas chegando próximo do hotel um puta congestionamento onde ficamos quase uma hora. As 13:15 estacionamos e fomos direto para o hotel tomar um banho.
Após o três estarem devidamente limpos e penteados resolvemos que era hora de almoçar, passamos na agencia para agradecermos e o Ricardo ganhou a camiseta por ter subido no Huayna 6088 mts.
Almoçamos em um hotel na frente da agencia e fomos fechar o passeio de bike pela estrada da morte para amanhã. Fizemos algumas pesquisas e fechamos pela FREEBIKES por um valor de 300 blv por pessoa por uma bike com suspensão dianteira e freio a disco mecânico. Existiam bikes melhores mas com preços maiores, mas como vamos passear a não competir achamos que estava de bom tamanho.
O valor ainda inclui um cd de fotos, uma camiseta, todo equipamento de segurança, lanche, buffet em um hotel no final da descida, com direito a piscina, guia e transporte.
Amanhã conto como foi o passeio de Bike.........

Bolivia - 9º dia

9º dia
Acordamos as 08:00 pois teríamos que estar as 09:00 na frente da agencia para separar os materiais novamente para partimos para a ultimo sofrimento da viagem.
Logo ao acordar podia-se ver a cara de desanimado dos três de ter que partir e caminhar com mochilas e pegar aquele frio de madrugada novamente, ainda por cima dormir em uma altitude de 5100 mt.
Descemos tomamos e café, dessa vez deixamos as coisas no hotel e resolvemos que seria melhor pagar uma diária a mais do que ter que arrumar tudo de novo fazer check out pagar e depois fazer check in no dia seguinte.
Chegamos na agencia e os guias já estavam separando o material, como já havíamos provado tudo para a montanha anterior somente separamos o que já havíamos usado pois sabíamos que daria certo.
Tentamos levar o mínimo possível, mas mesmo assim a mochila foi cheia. Tínhamos que levar saco de dormir, botas plásticas, grampos, pioletts, luvas, toucas, medicamentos, capacete, cadeirinha, polainas e roupas de frio adicionais, tudo isso fez com que a mochilas ficassem pesadas e volumosas. Colocamos tudo novamente na Van e partimos.

Paramos novamente em "El Alto"para compramos agua, chocolates e caramelos e partimos para o acampamento base de onde partiríamos.
Transito em "El Alto" Um verdadeiro caos

Após umas 2 horas chegamos ao ponto de partida para o Huayna, um acampamento base a 4800 mt.

Descarregamos as coisas e comemos um arroz com frango daqueles que eles compram numa bandeja plástica em "EL Alto" , terminamos de arrumas as mochilas e partimos para o acampamento Camp Rock a 5130 mts. A caminhada até lá deveria ser de umas 3 horas morro acima com mochilas carregadas e pesadas.
Partimos então para Camp Rock com um dia limpo e um visual alucinante.


A caminhada estava complicada pois como havia nevado 2 dias atrás havia muita neve na trilha, ou melhor neve não, e sim um gelo liso que fazia que nossa caminhada decorresse muito lenta e com muito cuidado pois estava tudo liso.




Mas para frente o gelo deu lugar para a neve o que não facilitou a caminhada pois continuava liso só que agora com mais inclinação




Caminhamos cerca de 1:30 quando nos deparamos com um lugar para pagar uma taxa de entrada no morro. Um cercado de pedras onde 2 mulheres cobravam a taxa de 10 blv por pessoa para que pudéssemos prosseguir. Nesse lugar também tivemos que colocar nossas botas e granpons pois havia muita neve e esse trecho era muito mais íngreme ainda.

A partir dai o bicho pega, uma caminhada em um trecho ingrime com mochilas pesadas, botas e granpons, neve e frio, tudo para ajudar e ainda o cansaço acumulado ao longo dos dias, sem contar a altitude que também dificulta muito.


O problema foi quando o sol se escondeu atrás dessa montanha de 6088 mts, a temperatura caiu uns 5 graus e começou a ventar o frio ficou terrível

a
 

Após 2:20 de caminhada pesada chegamos ao Camp Rock 5130 mts com muito frio. Eram umas 15:30 quando chegamos.



Entramos e tiramos nossas botas e grampons e subimos para nosso quarto para esperarmos a janta e também descansar para a caminhada que viria logo mais as 00:00. Pra variar o Ricardo reclamava de dor de cabeça e tomou um remédio. Eu  não quis tomar e me arrependi pois a dor aumentou e tive que tomar um as 23:00 e com isso praticamente não dormi.(faltava coragem para levantar)
 

Entramos dentro de nossos sacos de dormir e ficamos de bobeira batendo papo ate que umas 17:00 nossos guias nos falaram para descer que a janta estava pronta.
Comemos uma tigela de uma sopa saborosa e quentinha já que nessa hora lá fora a temperatura já beirava os -4º, também aproveitamos para tomar um chá para esquentar ainda mais.

Se o banheiro do outro abrigo era bom esse era d+ , ficava na beira de uma pirambeira de pedra e neve, sorte que nenhum de nos precisou pois o número um dava pra fazer na neve ali em volta do abrigo.

Fomos deitar para tentar nos aquecer pois o vento aumentava e o frio também, o frio era tanto  que nossos pés não esquentavam acho que levou umas 2 horas para sentir meu pé quente, isso usando  duas meias. Todos deitamos e ficamos quietos tentando dormir por voltas das 18:00 e o vento la fora soprava e o frio aumentava.

Bolivia - 8º dia

8º dia
Também conhecido como dia da vadiagem.
Acordamos as 8:00 descemos tomar o mesmo café da manhã e voltamos para o quarto ficar de bobeira, e também trabalhando um pouco.
Lá pelas 10:30 saímos para ir em uma rua que fica a umas 4 quadras onde tem varias lojas de equipamentos eletrônicos.
Uma curiosidade de La Paz é que todo comercio é dividido por regiões, tipo tem umas 2 quadras só de material de construção, outras duas com artigos de festa, outra peças, e assim vai, fora as barraquinhas nas ruas que vendem de tudo.
Fomos nas ruas de eletrônicos, parece até um Paraguai, varias lojinhas com tudo de eletrônicos uma do lado da outra, ate tem uns shoppings de lojinhas típicas de cidade Del Leste.
Voltamos para o Hotel e resolvermos ir até uma região mais nobre de La Paz a Praça Abaroa para ver se comíamos alguma coisa diferente. Pegamos um táxi que nos cobrou 12 bolivianos até lá.
Parece outra cidade, pessoas mais bem vestidas, casas e prédios de alto padrão, mercados e shoppings totalmente diferente da La Paz que havíamos conhecido até agora. Nade de comercio na rua nem pessoas de trajes típicos muito comum em toda La Paz.
Rodamos um pouco e achamos um restaurante e pedimos um sanduíche sem sabor, pura decepção.
Após passamos pela praça e batemos uma foto.

Pegamos outro táxi que dessa vez cobrou 15 bolivianos e voltamos para o hotel onde ficamos de bobeira até as 15h, eu e o Benjamin fomos assistir o jogo da Espanha e Itália em espanhol na sala de tv do hotel se é que dá pra chamar duas poltronas duras e uma tv de tubo de sala de tv. O Ricardo disse que ficou trabalhando.
Após o jogo saímos jantar e voltamos para arrumar as coisas pois sairíamos as 09:00 para tentar o Huyana Potossi.

27 de jun. de 2013

Bolivia - 7º dia

7 º Dia
Acordamos aproximadamente as 23:30 e ficamos deitados esperando o horário de levantar as 00:00 saímos de nossos saco de dormir e começamos a nos equipar e agasalhar pois a madrugada prometia um frio intenso, tomamos um chá quente com bolachas e pão e as 01:00 começamos nossa caminhada rumo ao glaciar, o problema era que tudo estava coberto de neve o que torna a caminhada bem mais perigosa. Essa quantidade de neve não e nada comum essa época do ano, na verdade não era nem para estar nevando.



Após 1:15 de caminhada chegamos a base do glaciar e começamos a nos equipar para começarmos a subida pela neve. Ai o problema começou, a neve estava muito solta e a rota havia desaparecido, os guias foram abrindo caminho pela neve fofa, cada passo exigia um esforço muito grande, fomos eu e o Ricardo junto com o Alex e o Benjamin com o Sebastian em outra corda.
Cada passo a perna afundava ate acima da canela e em alguns lugares ate o joelho, cada passo um esforço tremendo, caminhamos cerda de 1 hora ate um local onde o guia afundou ate a cintura na neve, comecei cogitar  desistir pois sentia que o corpo estava exausto e a neve fofa acabava com minhas energias, andava 10 passos e parava para respirar. O Ricardo e o Benjamin aprarentavam estar bem.

 Continuamos subindo pois queríamos pelo menos chegar no cume do Tarija, quando chegamos a um 50 mt do cume eu estava acabado e decidi voltar, o vento era intenso e a temperatura beirava os -20º segundo os guias e o vento em torno de 100 km/h, faltava somente um ultimo parede mas sabia que ainda tinha a volta e não quis ariscar.
 Ao tirar a maquina para bater foto começava a congelar

O frio era tão grande que as garrafas de agua e gatorade que estavam na mochila congelaram, as maquinas enchiam de gelo ao tirar para fotografar então começamos a descer. Quando olhamos para trás o benjamim o o outro guia subiam para o cume do Tarija, o Benjamin tinha feito uma subida mais tranquila pois como vinha por ultimo pegava um caminho mais pisado e pode economizar energia. Eu não iria mas o Ricardo teria ido, mas quando vimos já era tarde e já havíamos nos distanciado e não dava mais.

Benjamin no Cume do Tarija 5350

Começamos a descida devagar pois o clima estava muito duro, vento forte que trazia a neve e doía quando batia no rosto. Cruzamos mais 3 grupos que estavam subindo um deles tentaria o mesmo que nos iríamos tentar mas pelo que soubemos depois não conseguiram pois o vento era muito grande o que impossibilitava a chegada no Pequeno Alpamayo.
Quando estávamos quase chegando no fim da descida o Benjamim e o Sebastian nos alcançaram e o Benjamim falou que o vento no cume era tanto que não tinha condições de ir adiante mesmo e que ele teve que ficar de joelho de tanto vento que batia.



Chegamos na base do glaciar tiramos os equipamentos e começamos a descida, eram 8:00 da manhã tínhamos feito 7 horas de atividades direta e ainda faltava uma caminhada de mais 1 hora até o refugio, a exaustão era grande e a dor de cabeça também atrapalhava, mais ainda deu tempo de tirar uma foto com os bichinhos das crianças que eu tinha levado.


Começamos a caminhada de volta todos exaustos inclusive os guias que tiveram que abrir caminho na neve, eles falaram que as condições foram extremamente duras, após mais 1 hora estávamos de volta completando 8 horas de atividade direta e com condições extremas. Para vocês terem uma ideia o que enfrentamos imagine caminhar em uma duna de areia com areia até o tornozelo com uma bota de 4kg em cada pé, e ainda adicione um frio de -20º. Foi mais o menos isso que fizemos.



Ao chegarmos no abrigo eu e o Ricardo que estávamos com dor de cabeça tonamos um remédio e deitamos onde ficamos uma hora, o Benjamin ficou por lá de bobeira. Após esse tempo tinha recuperado as forças e a cabeça estava ótima, as 10:30 os guias nos trouxeram uma sopa que nos refez completamente, como só teríamos que começar a caminhada de volta lá pelas 12:30 tiramos esse tempo para bater as ultimas fotos da neve e do lugar lindo.








 Começamos o retorno as 12:30 e após 1 hora já estávamos no local onde  a Van nos esperava, tivermos que esperar uns 30 minutos para que as mulas descessem com nossas bagagens para retornarmos a La Paz.
Todos nos com nosso corpos cansados mas com a mente renovada e felizes, loucos por um bom banho quente pois 3 dias sem banho não é pra nos brasileiros e sim para os europeus.
Chegamos em La Paz por volta das 16:30 hora local lembrando que a diferença de fuso entre Brasil e Bolívia é de -1 hora.
Deu tempo de tomar um banho e ainda ver o finalzinho do jogo do Brasil narrado em espanhol.
Amanhã é dia de descanso para que na Sexta possamos estar bem para tentar o Huyana Potossi 6088mt.
As 19:30 já estávamos todos dormindo pois estávamos acordados desde as 23:45 ficado acordados num total de 19 horas acordados e com atividade intensa.